Coragem para dizer “não”

Nas Escrituras encontramos vários exemplos de pessoas que ousaram dizer “não”. Pessoas que usaram a fé em uma geração incrédula onde a dignidade que possuíam falou mais alto. Durante este estudo, vamos descobrir como podemos ser motivados por estes exemplos, que Deus deixou nas Escrituras, para aprendermos a dizer esta pequena palavra “não”.

Quando dizer não? Ao enfrentarmos uma situação em que a verdade da Palavra de Deus é confrontada e quando podemos comprometer nosso testemunho pecando contra Deus. Nosso primeiro exemplo é um desses! Nem sempre um cristão segue este exemplo contido na Bíblia, em um mundo onde quase tudo está sendo baseado em influências contra a Palavra de Deus, pois o ideal deles é a satisfação de seus desejos. Tudo tem seu começo nos erros pecaminosos, permitindo que o mundo faça parte em nossa vida. É chegada a hora de começarmos a dizer “não” para as coisas mundanas e dizer “sim” para as coisas de Deus.

Primeiro exemplo: a coragem de Vasti em dizer não (Ester 1:1-22)

Vejamos o drama entre um rei que se embriagou e uma rainha corajosa que disse não. O Rei Assuero, melhor conhecido como Xerxes, era o rei da Pérsia que incluía 127 províncias “desde a Índia até a Etiópia” (Ester 1:1). Ele era um ditador despótico e arbitrário.

No início de nossa história, Xerxes era o hospedeiro de uma grande festa em honra aos príncipes e aos nobres das 127 províncias de seu reino. A rainha Vasti estava recebendo as esposas e acompanhantes na residência real. A celebração teve seis meses de duração e culminou com uma festa de seis dias caracterizada de modo especial pelo grande consumo de vinho real. No fim dos dias daquela festa, “quando o rei estava alegre com vinho” (Ester 1:10), ele resolveu mostrar aos seus convidados a sua rainha.

Admirem a cena! O rei Xerxes sentado no centro da grande mesa real no salão de banquetes do palácio, ladeado por 127 bajuladores embriagados, todos príncipes e nobres. Durante uma semana eles estão comendo e bebendo sem parar. O rei já os impressionara com a demonstração das “riquezas e glórias do seu reino” (Ester 1:4). O pavimento da sala de banquetes era de pórfiro, de mármore, de alabastro e de pedras preciosas, e todos estofados e cortinas da melhor e mais fina qualidade. Todos os copos eram de ouro, individualmente feitos para cada convidado com seu nome. Uma fonte de água jorrava no salão com agradável perfume de flores. Escravas e eunucos passavam entre os convidados com instrução de lhes satisfazerem cada desejo. Pensemos um momento nesta situação! Será que devíamos ser encontrados neste ambiente? Devíamos estar lá para fazer a diferença? Tente responder esta pergunta.

Xerxes embriagado, admirando a beleza do ambiente, sente o desejo de mostrar a beleza de sua esposa. Envia ordenanças para que ela colocasse a coroa real e viesse se apresentar aos seus homenageados, todos embriagados.

Como disse no começo deste estudo, às vezes podemos passar por cima de verdades muito importantes e aqui está uma delas. Vasti pode ter tido suas falhas, mas era uma mulher de princípios, que condenava a embriaguez. Apreciei muito a resposta dela. Quando foi exigida a sua presença, em horário inadequado, para entreter aqueles homens dominados pelo álcool, o que segundo ela estava errado, abalou a Xerxes e o seu reino quando lhe disse “não”. Este foi um dos maiores “nãos” de toda história e foi inspirado por Deus. Foi um “não” que abalou o império persa até as raízes. Ela poderia ter a sua cabeça decepada imediatamente por haver dito “não” ao rei. “Parabéns, senhora, você cresceu e teve seu nome no Livro dos livros!”

Que exemplo maravilhoso para nós nestes dias cheios de tantas coisas erradas. Sim, mesmo em nosso meio, temos jovens que participam de festas mundanas que com o tempo e insistência dos amigos destroem sua juventude com vícios. É uma situação difícil ao ser chamado de “quadrado” ou antigo quando não se quer estar no meio deles. Então o que fazer?

Quando a rainha Vasti recebeu a ordem de sacrificar sua honra perante uma turma importante da Pérsia, ela disse “não”. Aquelas pessoas podiam até ser politicamente corretas no sistema mundano, mas perante o nosso Deus ela era a única correta. Preservando a sua honra e dignidade não dobrou à pressão do rei. Que mulher! Ela não recusou por causa dum espírito de revolta ou vingança, mas por causa do seu caráter e dignidade. Se cada irmão ou irmã tiver um caráter como o dela, pronto a dizer “não”, viverá em dignidade e integridade por Aquele que nos chamou para sermos Seus seguidores.

Ela não era cristã nem seguidora de Deus, mas Vasti “tomou a sua cruz”! E nós irmãos? Temos coragem suficiente para dizer “não” na hora da tentação, quando nossa honra e integridade estão em jogo? Não somente a nossa, mas a do seu Salvador também? Em Provérbios 31:10 lemos: “Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias”. Integridade, dignidade e honra valem muito mais do que a prata e o ouro.

“Não”, é apenas a uma palavrinha, mas que tem o mais alto eco. Ela separa os grandes homens e mulheres dos “pigmeus morais” deste mundo. Quando Cristo Jesus foi tentado o Seu “não” destruiu por completo o plano de satanás que queria evitar que Ele chegasse à cruz do Calvário. A Bíblia diz: “Resisti o diabo e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7). Não existe nada igual ao um chocante “não” para derrotar o mundo, a carne e o diabo.

Agora vamos pensar sobre uma situação muito falada em nossos dias. Não podemos escapar do fato de haver pessoas que crêem que casais podem ter experiências sexuais antes do casamento, e têm este conceito como correto, sob a alegação que têm medo de assumir um compromisso sem saber se dará certo. Então, entram em um relacionamento para viverem juntos para ver se um dia poderão se casar. Um jovem disse: “quero que minha esposa seja virgem, mas quero saber antes se vai dar certo para depois chegar ao casamento”. As duas afirmações são conflitantes, não têm fundamento.

Nas Escrituras encontramos a resposta certa na vida de Isaque (Gênesis 24:57-67). Rebeca aceitou ir com o servo de Abraão para casar-se com Isaque, que era alguém desconhecido para ela. Quando ela chegou, Isaque a tomou como esposa, sem pensar em “experimentá-la”, e ele a amou muito. Ele esperou em Deus e confiou que o que Deus tinha preparado para ele daria certo sempre. Portanto, devemos também esperar e entregar nossa escolha nas Suas mãos. Diga “sim” para Deus e “não” para a imoralidade deste século.

Segundo exemplo: a coragem de José em dizer “não” (Gênesis 39)

Vamos então olhar para o segundo “não” com o incidente ocorrido na vida do jovem José, que foi vendido por seus próprios irmãos e estava sozinho em um lugar estranho. Apesar disso, ele recebeu um cargo muito importante (controlava os escravos na casa de Potifar, comandante da guarda). Este homem entregou tudo nas mãos de José e ele cuidava corretamente de tudo. Então veio o problema (olho-grande, ciúmes e tentações, sempre aparecem para destruir a felicidade).

José temia a Deus e cremos que nunca pensou que algo errado poderia acontecer em seu local de trabalho. Coloque-se na posição deste irmão! Ele estava longe da casa, sem amigos e de repente aparece uma situação que poderia ser muito agradável e ao mesmo tempo destruidora. Como resolveríamos?

A mulher de Potifar o chamou para deitar-se com ela. Foi aí que entrou a dignidade e integridade de José quando disse “não” ao pecado, virou as costas e fugiu daquela mulher tentadora, deixando-a furiosa. Observemos que o “não” de José foi bem definido e imediato, cortando de vez a tentação. A mulher queria vingança e por isso José sofreu uma conseqüência injusta, contudo ele foi fiel, leal e honrou ao seu Deus.

Quantos casamentos, namoros, noivados e, acima de tudo, vidas foram destruídas por homens e mulheres porque não souberam dizer “não”. Notemos estes exemplos nas Escrituras e gravemo-los em nossos corações se quisermos ser servos fiéis na Obra do Senhor. Em Salmos 16:8 lemos: “O Senhor, tenho-o sempre à minha presença; estando Ele à minha direita não serei abalado”. Isto deve ser a verdade da nossa vida, lembrando sempre da presença e a proteção do nosso Deus.

José pagou um preço alto, mas no final foi recompensado por tudo, cumprindo o propósito que Deus tinha para a sua vida. Sim, foi posto na posição certa, sendo usado para o futuro da sua própria família e do povo de Deus. Lembremos o que José disse em Gênesis 50:20 “... Vós na verdade intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida”. Se ele tivesse caído em pecado com a mulher de Potifar, seria impossível realizar o plano de Deus. José chegou a sustentar e governar o Egito, simplesmente porque disse “não”.

Esse tipo de tentação não vem de Deus, mas vem do inimigo (Tiago 1:13). Contudo a escolha de pecar ou não é nossa, mesmo tendo o Espírito Santo presente, nos assistindo, fazendo-nos lembrar e nos motivando para dizer “não”. Lembremos o que diz a Palavra de Deus: “...o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tiago 1:15) É tão bom saber que nada acontece além daquilo que podemos suportar, porque Deus sabe de todos nossos pontos fortes e fracos. Por isso, devemos seguir o conselho de Pedro, “lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós” (1Pedro 5:7).

É possível que José possa ter sentido momentos de tristeza ou desânimo quando tudo lhe parecia perdido, mas com Deus no controle isto não foi verdadeiro. José logo assumiu responsabilidades dentro da prisão. Durante esse tempo Deus o preparou para o serviço que deveria exercer no Egito. Há momentos assim em nossas vidas, mas se perseverarmos em nossa confiança na Soberana Vontade de Deus, alcançaremos a vitória. A resposta Dele nem sempre vem na hora que queremos, porém na hora certa. Portanto, esperemos com paciência.

José foi recompensado primeiramente pelo carcereiro, e depois ao responder os sonhos do copeiro e do padeiro, porque disse “não” no momento certo. Tentação não é pecado, mas cair em tentação é. Tenhamos a coragem de José em dizer “não”.


Terceiro exemplo: a coragem de Daniel em dizer “não” (Daniel 1, 3 e 6)

Após estudarmos sobre o “não” em dois assuntos visivelmente morais (Vasti e José), vamos mudar a nossa atenção para o lado menos visível, em que entra a questão de escolha do melhor dentro da vontade de Deus, mesmo que isto possa custar a própria vida. Temos neste livro maravilhoso de Daniel três ocasiões separadas em que foi dito “não”.

O primeiro capítulo relata que Daniel e seus amigos eram jovens de alta qualidade, porque foram escolhidos por causa da aparência e nível de instrução que tinham, por serem versados no conhecimento e por serem competentes para viverem no palácio do rei (Daniel 1:4). O rei determinou a comida com que eles deveriam ser mantidos por três anos com os outros que foram escolhidos. Daniel tomou imediata decisão em aceitar todas as regras que eram postas para eles, mas ao ser oferecida às iguarias e o vinho do rei, Daniel disse “não” em seu coração.

Foi um momento difícil, como colocar a sua posição para o chefe? Deveriam correr o risco de desobedecer à ordem do rei, mesmo sabendo que poderia resultar na morte deles? Antes de enfrentar o chefe dos eunucos ele entrou na presença de Deus em oração. Ele não era um fanático, tradicionalista ou quadrado, mas simplesmente um verdadeiro servo do Senhor, desejando fazer “o melhor”, agindo em união com seus amigos diante de Deus.

O versículo 9 diz que Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos. Sendo fiel a Deus, ele alcançou favor do eunuco por um período de dez dias como teste, quando só comeriam legumes e água. Ao final dos dez dias estariam mais saudáveis e robustos que os demais? Sem dúvida que “sim”! Tanto Daniel como os seus amigos.

O que é que estamos comendo nestes dias? Podemos pensar em todos os alimentos a fim de sustentar o nosso ritmo de vida e saúde, mas, na realidade, devemos sempre estar pensando na alimentação mais importante para a nossa vida espiritual: “... nem só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor, disso viverá o homem” (Deuteronômio 8:3).

Daniel já tinha aprendido isso, vivendo da provisão de Deus. Lemos em Isaías 55 que o pão indispensável já foi providenciado para o nosso consumo, e sem preço. O preço já foi pago por nosso Salvador, e Ele mesmo nos diz isso em João 6:35 “... Eu sou o pão da vida; o que vem a mim, jamais terá fome; e o que crê em mim, jamais terá sede”. Lembremo-nos do maná, ele não caiu na terra, mas sobre o orvalho (Números 11:7-9). Precisamos ter mais fome e buscá-lo.

Em nossos dias são oferecidas muitas opções para nos ajudar em nosso crescimento espiritual, mas na realidade o melhor vem da própria Palavra da boca de Deus. Nestas opções, às vezes encontramos gordura e alimentação não tão apropriadas para a nossa saúde ou situação em que estamos vivendo. Na realidade podem não nos dar sustentação na hora da batalha contra o inimigo. Busquemos e esperemos, sempre, a resposta de Deus.

Vamos irmãos dizer “não” àquilo que não nos sustenta, e “sim” à nutrição maravilhosa que temos em nossa Bíblia! Lembremo-nos do hino que diz: “A Santa Bíblia que Deus nos tem dado, é manancial de verdade e de luz. Mina preciosa, tesouro sagrado, rota divina que a Cristo conduz”.

Com esta força divina, Daniel e seus amigos puderam enfrentar tudo que haveria de acontecer e saíram com a vitória, modificaram assim a sua geração. Notemos que Daniel ganhou favor do chefe dos eunucos, não foi decapitado e foi promovido com seus amigos. Deus dá honra a quem O honra.

Quando foi pedido para os três amigos de Daniel se dobrarem diante da estátua do rei, estes também tiveram a ousadia de dizer “não” e arcariam com as conseqüências pela decisão que tomaram: “Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, que não serviremos a teus deuses” (Daniel 3:17-18).

Notem que eles estavam dispostos a respeitar os desígnios e o querer de Deus. O resultado dessa tribulação foi uma vitória não somente para os três, mas para todo o reino e, especialmente, para o nosso Deus. Em Daniel 3:28-30, descobrimos o que rei Nabucodonosor disse: “Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, o qual enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele e frustraram a ordem do rei, escolhendo antes entregar os seus corpos, do que servir ou adorar a deus algum, senão o seu Deus. Por mim, pois, é feito um decreto, que todo o povo, nação e língua que proferir blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas um monturo; porquanto não há outro deus que possa livrar desta maneira. Então o rei fez prosperar a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na província de Babilônia”. Que testemunho brilhante perante um rei pagão. O rei reconheceu que se tratava do Deus vivo.

Daniel também foi pressionado a se dobrar perante o rei Dario. Sabia que era proibido orar, mas ficou firme na sua confissão mesmo sabendo que o resultado seria a morte na cova dos leões. Quando o rei tentou mudar seus pensamentos, Daniel disse “não”, então a sentença da morte foi dada. Deus então Se encarregou de livrá-lo e enviou Seu anjo para protegê-lo. O nosso Deus tem prazer em proteger aqueles que são servos fiéis.

Finalizando, o que podemos resumir neste estudo: que a Palavra de Deus vale muito mais para nós do que qualquer outro livro ou pensamento, e que Ele vai nos honrar se O honrarmos primeiro. Daniel, seus amigos, e também José, confiaram nesta Palavra maravilhosa e não no conselho dos homens. Que Ele nos dê coragem de dizer “não” na hora certa e “sim” para Ele, em todas as circunstâncias das nossas vidas. Que o nosso Deus venha abençoar ricamente a sua vida!

Que este estudo sobre o “não” possa dar força e honra na sua vida, e que cada um de nós possamos tomar nossas cruzes e seguir a nosso Salvador, glorificando o Seu Nome cada dia mais.

autor: Jeffrey Arnold Watson 4.